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Permanece naquilo que Aprendeste: Uma Palavra aos Pais

Foto do escritor: Marina Cappai Santos
Marina Cappai Santos
há 2 dias
5 min de leitura

Vivemos uma época muito diferente de todas as outras que já foram vividas pós dilúvio. A corrupção, a mentira e tantos outros pecados sempre nos assombraram desde a queda, mas  há uma distinção entre os dias atuais e os antigos: nunca na história o homem esteve tão bem informado sobre como todas as coisas funcionam, e também nunca soube tão pouco acerca do verdadeiro significado e propósito da vida. 


Nós pais temos muitas dúvidas sobre como criar nossos filhos, pois somos inundados de técnicas de como educá-los para serem pessoas de bem. Existem pensamentos,  regras e modelos disponíveis aos milhares, e muita opinião dentro e fora do meio virtual. São tantas teorias, e “how to do” que ficamos perdidos. Algumas vezes sabemos como fazer ou como aplicar alguma regra ou instrução, mas temos dificuldade em fazer uma reflexão sobre o caminho que escolhemos seguir e o alvo que pretendemos atingir, se o resultado que almejamos será alcançado pela vereda que escolhemos.   


Será que nesta busca consideramos os objetivos que o evangelho nos apresenta sobre o verdadeiro cristão que estamos formando em nossos lares? Será que ao escolhermos o caminho priorizamos o desejo de que Jesus seja não só o Salvador das almas de nossos filhos, mas que seja também o Senhor de seus corações. 


Em meio a ampla degradação cultural que constatamos no mundo, infelizmente também observamos  uma deterioração da cultura cristã, o que desperta entre muitos pais um medo comum: o de “criar seus filhos em uma bolha cristã”, como se uma formação profundamente enraizada na fé pudesse ser prejudicial. Teme-se que as crianças se tornem “crentes demais”, afinal “o mundo é o mundo” e elas precisarão enfrentá-lo como ele é. Mas por que pensamos assim? E, afinal, qual é o papel da educação cristã dentro e fora de nossos lares?


Desde a Revolução Francesa e a separação entre Igreja e Estado, fomos pouco a pouco convencidos de que a fé deve permanecer limitada à esfera privada. Séculos depois, o relativismo moral rejeitou as verdades universais para abraçar as verdades particulares. Esse pensamento impregnou a igreja e a mente do povo de Deus. Pagamos o preço por termos desviado nossos olhos do evangelho para olhar para esta terra árida e seca, nos esquecendo das eternas promessas da presença de Deus.


Eu e você sabemos que o mundo chama, convida, seduz e apela aos nossos corações. Na formação de nossos filhos, os atrativos são inúmeros: amigos que não são exemplo de devoção, desenhos, filmes e tecnologias que encantam, instruem e aos poucos treinam o coração deles para abandonarem sua cruz e seu Criador, buscando cada vez mais satisfazer seus próprios desejos e preencher a vida com o pó desta terra — que nunca preenche e nunca satisfaz. Quando permitimos que o mundo conquiste o coração de nossos filhos, geralmente, na adolescência, nos perguntamos por que se tornaram tão rebeldes, insensíveis e egoístas. Talvez, ao longo dessa caminhada, tenhamos nos esquecido do essencial.


Na Epístola de Timóteo, Paulo, discipulando o jovem Timóteo que estava à frente de uma igreja em seu primeiro ministério, o apóstolo instrui seu discípulo: “Quanto a você, permaneça naquilo que aprendeu e em que acredita firmemente, sabendo de quem você o aprendeu e que, desde a infância, você conhece as sagradas letras, que podem torná-lo sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus. Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o servo de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra. 2 Timóteo 3:14-17

Essa passagem deveria ser visitada todos os dias por nós que temos buscado sabedoria e discernimento do Senhor na criação de filhos. Nesta passagem encontramos três ensinamentos. 

O primeiro ponto importante que Paulo traz à memória de Timóteo é a fé que sua mãe o havia ensinado. Essa fé fez morada em seu coração desde a tenra idade. 


No último trimestre de gravidez geralmente é a fase em que a ferritina materna fica muito abaixo dos níveis aceitáveis para a boa conclusão da gestação e parto. Os bebês neste último trimestre fazem um estoque de ferro da mãe que ele levará para a vida toda. Por causa dessa doação, ficamos extremamente cansadas. Para compartilharmos esse ferro com nossos bebês, existe um trabalho gigantesco de nossos corpos para suprir as necessidades de nossos filhos. Assim como nosso corpo transfere naturalmente o ferro para a saúde de nossos bebês, devemos transferir a fé cristã  para nossos filhos. O apóstolo disse ao seu discípulo: permaneça naquilo que aprendeu e em que acredita firmemente, sabendo de quem você o aprendeu e que, desde a infância...” Timóteo é fruto da devoção e obediência de sua mãe. Nós pais temos preenchido o coração de nossos filhos com essa fé viva em nosso lar? Nossos filhos tem o exemplo de pais imperfeitos, mas totalmente entregues ao senhorio de Cristo? 


No segundo ponto, Paulo indica a verdadeira fonte da sabedoria: “...você conhece as sagradas letras, que podem torná-lo sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus. Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a educação na justiça.” Assim como mães com deficiência de ferro precisam buscar suplementação para suprir as necessidades de seus bebês, nós, em nossa vida cristã, precisamos nos suplementar com as Escrituras como fonte da verdade da fé — caso contrário, enfrentaremos grande confusão. Um dos desafios atuais é que temos buscado essa “suplementação” em teorias mundanas, influências acadêmicas pagãs e pedagogias que não ensinam, mas empoderam crianças que deveriam aprender antes de liderar, submeter-se em amor antes de perseguirem seus próprios desejos. Nossos filhos vêem nosso coração firmado nas verdades eternas de nosso Senhor Jesus? São essas verdades que orientam nosso relacionamento e nossa disciplina com eles?


Em terceiro lugar, o apóstolo diz: “a fim de que o servo de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra”. Existem consequências de aprender as verdades cristãs e permanecer nesta fé. Timóteo aprendeu em seu lar o que significava de forma mais profunda o que era seguir a Jesus, ele sabia onde buscar sabedoria e entendimento dos ensinamentos de Cristo e por consequência este homem seria perfeitamente habilitado a servir ao próximo. O evangelho se traduz no amor à Deus sobre todas as coisas  e ao próximo como a nós mesmos.


Como pais verdadeiramente cristãos, não devemos nos preocupar com o fato de criarmos nossos filhos em uma bolha ou crentes demais. Cristo não requer parte de nossos corações. Nossa fé e serviço envolve toda a nossa vida, nada além dela por completo. 


Com esse pensamento é que a Educação Cristã Clássica se alicerça. Corações e mentes cativos ao evangelho e desejosos de servir ao Reino de Deus onde estivermos plantados.


Deus abençoe você e sua família.


 
 
 

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